quarta-feira, 23 de março de 2016

Bacalhau, azeite e outras festas

                O feriado se aproxima e com ela uma das mais reconhecidas tradições familiares. Não, não estou falando dos ovos de chocolate, mas sim do tradicional bacalhau. Dentre muitos costumes das famílias brasileiras jamais poderá faltar o tão famoso bacalhau. Sua origem é incerta, apesar de ter sido amplamente introduzido no comércio mundial pelos Portugueses, primeiro por necessidade (um tipo de alimento que por conta do sal podia durar um período extenso) e segundo pela grande aceitação e facilidade de demanda. Não tardou para que em pouco tempo os países dominantes assinassem tratados de comércio dessa mercadoria e travassem guerras, como a chamada Guerra do Bacalhau (1532).
No Brasil, ele só foi introduzido como prato em meados de 1850 e sua apreciação ocorria não apenas em datas especiais, mas normalmente durante almoços de negócios. Contudo, hoje em dia popularizou-se seu consumo em datas como a Páscoa e o Natal. Dentre outros fatores não em questão no momento, o que mais prejudica seu consumo é seu valor elevado. Em uma pesquisa rápida na internet podemos verificar que nos últimos dois anos (2015/2016) seu preço subiu muito acima da inflação, respectivamente 40% e 30,73%. Se levarmos em conta que um bacalhau é sempre acompanhado de um bom vinho (subiu 28,36% em 2016) e um ótimo azeite (subiu 25,07% em 2016), então podemos ter uma ideia do tamanho da conta quando se planeja fazer esse prato para toda a família. O preço tradicionalmente se eleva antes de datas como essa, é uma prática comum do mercado, sendo intensificado pela disparada do dólar que por se tratar de um produto importado sofre grande variação conforme a oscilação do câmbio.
A solução para quem não quer deixar a tradição de lado é sempre de “bater perna” ou nos dias de hoje, procurar através dos meios de comunicação e marketing promoções ou as melhores ofertas, barateando assim o tão estimado prato. Em última hipótese, substitua por outro pescado. Há inúmeras opções disponíveis no mercado, peixes semelhantes que podem entrar no lugar do bacalhau e salvar as festividades, lembrando que praticamente todas sofrem um leve reajuste nesse período (não tão acentuado quanto o bacalhau), mas que não encarecem tanto a mesa. Em momento de crise econômica e política nacional, é preciso não contenção de gastos, mas conscientização dos mesmos. Gaste com sabedoria.